Algumas fotos do dia 30.08, na Arena do Itaú Cultural, apresentação da cena "Varadouro" - O Imaginário.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
NA ENCHENTE DO RIO A ENCHENTE DE GENTE.
Quando o rio enche, os cardumes de peixes sobem o rio a deslizar, contra a correnteza, a remontar o rio, a transpor em saltos impressionantes corredeiras e até pequenas cachoeiras, em busca de águas tranqüilas. A Piracema, tupi-guarani pirá hecê piraquã ou melhor, pirá apuã hecê1. “Avenida de pescado” no dicionário de Montoya2.
A “gente” também se acomete como os peixes em busca da salvação, do ganha pão. Ganhando terra, ganhando chão, abrindo trilha, subindo o rio, varando o seu destino. Vias de vidas, vidas pelos caminhos.
1 Pirá – peixe; hecê – saltar; piraquã – cardume; apuã – subir; hecê – aos saltos
2 Padre Antonio Ruiz Montoya (1876)
Leo Carnevale
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
A Humanidade Busca Caminhos
Debruçados sobre o material recolhido e absorvido pelas historias e imagens apreendidas na memória, na retina, também gravadas e fotografadas, observamos uma confluência das histórias sobre a necessidade de trilhar novos rumos.
O povo beiradeiro* é um povo que trilha caminhos. Pelo rio, pela mata e também pelos trilhos, quando do funcionamento da Estrada de Ferro. Caminhos de sobrevivência, afim de continuar a viver, a ser, a existir. Resistindo as necessidades impostas pela natureza: épocas de chuva em abundância e de secas terríveis. Um solo frágil. Mas um lugar que também oferece muitas dádivas, como peixes, frutas e mandioca para farinha.
Encontramos muitos personagens nestes caminhos e podemos observar sua relação com o ambiente. São pessoas que vieram de fora ou nasceram ali de pais que vieram de outros lugares.
A construção da cena partiu do encontro com estes personagens, do tempo de suas falas, das poses que seus corpos produziam, da atitude perante a vida. Nasceram as características do Coronel do Barranco, do Caboclo, da Menina filha do Coronel, dos Encantados, dos Estrangeiros...
A cena ganhou uma polifonia**, ou dialogismo***, como trata Mikhail Bakhtin: “linguagem em ação”. Um princípio de que todo enunciado lingüístico se fundamenta sobre um diálogo implícito.
“Os textos polifônicos se caracterizam pela falta de acabamento e de solução do herói. A posição do autor em relação ao herói é dialógica, proporcionando, do início ao fim, autonomia e liberdade interna. O texto, não sendo fechado, permitirá ao leitor maior produção de sentidos – a polifonia.” Claudiana Soerensen A PROFUSÃO TEMÁTICA EM MIKHAIL BAKHTIN: DIALOGISMO, POLIFONIA E CARNAVALIZAÇÃO
Desta forma procuramos construir uma cena onde a diversidade das falas proporciona ao espectador uma variedade de sensações e estímulos.
* Pessoa que mora às margens.
**Polifonia, Entre os gregos antigos, reunião de vozes ou de instrumentos.
***Dialogismo, Arte do diálogo, Figura que reproduz em diálogo as idéias das personagens.
Leo Carnevale
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Imersão nas Estórias, na Sala d'O Imaginário
Depois do recolhimento de tantas estórias e dos encontros com a Cia. Será O Benidito?! do Rio de Janeiro, a imersão agora é na sala de trabalho d’O Imaginário em Porto Velho, RO.
O diálogo que estabelecemos com as várias pessoas que encontramos em nossas viagens, nos forneceram muito material de pesquisa, estórias e causos da oralidade de nosso povo.
A oralidade é entendida por pesquisadores como a profª Beth Rondelli em seu livro “O Narrado e o Vivido”, como um “conjunto de narrativas” vivenciadas por um grupo que compartilham as mesmas “referências” estéticas e éticas.
“Tais estórias não são exclusivas desse grupo.” Observamos que as mesmas histórias tinham versões diferentes. Mesmo que algumas estórias “possam sugerir semelhanças com outras estórias”, “cada contador é o autor de sua própria estória”.
"Nada retém sua própria forma; a Natureza, a maior renovadora, constantemente cria formas de formas. Certamente nada há que pereça em todo o universo; há apenas variação e renovação de forma." Ovídio, Metamorfoses.
A convivência com as pessoas de cada localidade da margem do Rio, da ferrovia e da mata, descendentes ou não de famílias que ali estiveram no inicio de sua ocupação, especialmente durante o Ciclo da Borracha, nos proporcionaram uma visão do humano, do drama, das ações e da realidade social. Nosso foco eram os traços culturais: as crenças, os costumes e os diferentes tempos da vida.
As narrativas e as memórias, da presença dos trabalhadores, de diversas nacionalidades, em cada localidade, na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, da extração da seringa e da extração da madeira, são povoadas de várias lendas de encantados e seres da mata e do rio.
Buscar um caminho em meio a tantos caminho ou “varadouros” como são chamados por aqui. Varadouros de trilhos, varadouros de rios, varadouros na mata, procurando proporcionar a vivência destas viagens. Transformar estes dramas, ações, realidades humanas em composição de ações poéticas através da cena teatral é o nosso desafio agora.
Leo Carnevale
| Fotos: Arquivos O Imaginário |
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