quinta-feira, 14 de abril de 2011
Primeiro encontro: O Imaginário no Rio de Janeiro
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Uma Aventura Fotográfica
| Livro "Estrada de Ferro Madeira-Mamoré" |
sábado, 9 de abril de 2011
"Nos Trilhos da E.F.M.M."
"O Passeio de Pesquisa"
quinta-feira, 7 de abril de 2011
“Voltar ao passado é progredir”
domingo, 3 de abril de 2011
As Ruas do Rio de Janeiro no Século XIX
O Rio, a capital do Império e principal centro urbano da América do Sul neste período, produzia nas suas ruas música, canto e dança mesclada numa mistura de sons e movimentos, forjando um estilo brasileiro harmonioso e peculiar. A escravidão, nesse caso, era realmente uma cacofonia de tradições culturais ricas e híbridas e criando assim as formas diversas e espetaculares, a cultura da cidade Mas no século XIX, os escravos tinham suas áreas de atuação definida e suas vendas baseadas na agricultura de subsistência, fabricação, manufaturados e comercio, ficando restritos aos setores de baixo status da economia na época.
Hoje, século XXI, quem são os vendedores nas praças, calçadas e ruas? Hoje quem são os escravos modernos e ambulantes, camelôs, crianças, famílias inteiras de rua que transitam por estes espaços. Como são as novas performances do cotidiano urbano do Rio, de circulação de informações, de lazer, de ordem e desordem? Como são e onde estão esses momentos de transgressões espetaculares? As performances foram se adaptando aos novos mundos sociais que por sua vez foram sendo definidos por novas convenções e estabeleceram outro caráter na ocupação destes espaços. Infelizmente, os negros ainda têm uma "subsistência" mínima garantida nas ruas, praias e camelódromos do Rio de Janeiro. Mas o espetacular das ruas e praças está caminhando na mesma linha do que a tradição e da profissionalização do espaço publico, tanto para artistas e pequenos comerciantes informais. Ainda hoje, esse espaço parece estar restringido ao baixo status da economia e da arte das cidades, aonde ainda se tem a perseguição que a polícia faz com freqüência aos ambulantes e artistas, com um suposto “Choque de Ordem”. O artista Martenze Marte, que faz estatua viva, declarou: "Em tempo de paz qualquer pessoa tem o direito de ir e vir com os seus bens e sua arte dentro do que está escrito no artigo 5, parágrafo 9 da Constituição Brasileira”. Este é um exemplo do atual povo de rua que habita os espaços urbanos. Não são mais escravo de ganho, mais são os camelôs, feirantes e artistas os legítimos co-autores da história urbana de um país chamado Brasil.
Martenze Marte quinta-feira, 17 de março de 2011
Cores, Sabores, Cheiros e Sons
A feira perdeu seu som. O único som que se escuta é o som do valor da oferta. Não é a atração e sim a competição pelo menor preço. Virou um grande pregão de valores hortifrutigranjeiro.
Andar pelas feiras hoje é algo sem muitas surpresas, sem nada que nos surpreenda ou cative. Porém, se essa caminhada for feita com um olhar mais detalhado, com calma e sem nenhum interesse na compra dos produtos, podemos encontrar um universo encantador. Um verdadeiro elo entre o passado e o presente da humanidade. Pois é, tivemos uma bela e grata surpresa em encontrar a senhora Maria. Ela estava na calçada, atrás de uma barraca, encostada em um muro centenário do centro do Rio. Com uma concentração quase autista, ela exercia uma função de ligação com o passado. Uma volta na história daquele local e no resgate do trabalho manual do início da nossa colonização. Com a paciência e sabedoria de uma senhora de 80 anos de idade e 65 de feira, ela descascava com os dedos o feijão de corda que seria vendido logo em seguida na barraca. Nesse momento percebi o valor da tradição, pois provavelmente se essa senhora não ensinar essa função para alguém, ninguém mais o fará.
Continuamos a circular, ainda na esperança de encontrar algum som para relatar em nossa pesquisa. Enquanto não encontravamos, fomos pego pelos cheiros, cores e sabores das barracas que encontravamos no caminho. Achamos e provamos seriguelas, pitombas e artigos de vaidades. Percebemos que a escrita agora substitui a fala para atrair o cliente até a banca.
Ainda tem gente que venda arte da arte que é achada no lixo e revendida na feira. Tinha um rapaz vendendo gravuras do Alfred Sisley (1839, Francês de ascendência e nacionalidade britânica) e Albrecht Dürer (1512, Húngaro. Foi nomeado pintor de corte de Maximiliano I), por apenas R$ 5,00 cada gravura, mas por R$ 7,00 levariamos as duas. Além dos alimentos, temos também pintores renomados a venda nas feiras do Rio.
Estavamos já quase indo embora, quando ao longe ouvimos um canto: Olha ele ai...rosca!!!!
O “Rosca” é a sensação da feira da Glória. É o único que canta e brinca com os clientes. Seu canto é ouvido a mas de 50 metros e causa curiosidade e expectativa com a sua chegada. Ele canta, brada por toda feira. Vende muito, pois seus trocadilhos provocam curiosidade e pela sua simpatia e humor e suas frases encantam e os clientes compram. Ele mesmo estimula que outras pessoas pronunciem seus bordões e suas piadas. Clientes de todas as idades comem a sua rosca. Ele já é uma celebridade da feira. Já foi até entrevistado do Programa do Jô.
Ver e ouvir esse cara é sensacional, pois ele é exatamente o que procuramos na pesquisa. Ele usa de todos os possíveis fundamentos da cameloturgia. Ter o produto, o argumento, um roteiro pré-estabelecido de piadas, um canto que atrai, bom humor, simpatia e muito improviso é o que um bom Cameloturgo tem que ter para conquistar seu público/plateia. Temos muito o que aprender com ele.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
É Dia de Feira!!!!!!!
A feira é uma tradição cultural e na história da humanidade está repleta de referências a feiras. Não se sabe ao certo onde e quando apareceu a primeira feira, no entanto há dados que nos permitem afirmar que em 500 a.C. já havia feiras no Médio Oriente. As primeiras referências a feiras aparecem misturas com referências ao comércio, às festividades religiosas e aos dias santos. As feiras sempre revelaram um carácter comercial desde o início. Mercadores de terras distantes juntavam-se, trazendo os seus produtos autóctones para troca por outros. É também evidente que a religião andou de mãos dadas com o comércio. A palavra latina feria, que significa dia santo, feriado, é a palavra que deu origem à portuguesa feira, à espanhola feria ou à inglesa fair. As feiras são uma das mais importantes instituições do período medieval em Portugal. Quase todas as feiras se realizavam em épocas relacionadas com festas de Igreja e, no local onde se faziam, existia uma paz especial, a paz da feira, que proibia todos os actos de hostilidade, sob penas severas em caso de transgressão. Durante a realização das feiras medievais interrompiam-se guerras, a paz era garantida para que os vendedores, dispostos lado-a-lado, pudessem trabalhar com segurança. Da mesma maneira, guardas vigiavam todo o perímetro de modo a evitar que algum desordeiro pudesse causar incómodos aqueles que por ali passavam e desejavam efectuar suas compras. Os mercadores medievais realizavam as transições comerciais e intermediavam trocas numa actividade eminentemente itinerante. A origem das feiras livres no Brasil confunde-se com a sua própria história. Desde o período do Brasil Colônia, elas multiplicaram-se, assumindo importante papel, não apenas no abastecimento, mas como fundamental elemento que estrutura a própria organização social e econômica da população. Com a paz estalada e as feiras lotadas de vendedores e compradores, estavam lá, em meio a essas multidão de pessoas dezenas de saltimbancos, pregoeiros, trovadores e artistas fazendo seus malabarismos, cantos e procuravam divertir o povo que se movia de barraca em barraca, prosseguindo nas compras. Performances e açoes desenvolvidos dentro das feiras populares sempre aconteceu e sempre acontecerá, pois a essas performances estão ligados ao genuino e espotaneo das feiras. Nas feiras a concorrência é grande, pois existem várias barracas que vendem os mesmos produtos. Para atrair os clientes, os feirantes gritam, demonstrando a qualidade de seus produtos aos clientes ou através de frases engraçadas, brincando com a freguesia, tornando o ambiente bem descontraído e animado. Dentre as frases temos: “moça bonita não paga, mas também não leva”, “Gostoso não é? Pode experimentar outra vez”, “aqui é barato, o marido da barata”, “pega no melão que aqui ele tá bom”. Esses bordões e frases já são parte de uma cultura oral milenar, pois a séculos eles são repetidos e renovados ininterruptamente. Mesmo hoje, em plena sociedade da informação, dos mercados virtuais e da economia globalizada, as feiras persistem como um traço sócio-cultural que identifica regiões e a uma realidade muito distante e permanente na comunicação da humanidade.








