Com a proximidade dos dias dos pais aflorou o sentimento paterno que normalmente nos acomete nessas datas. Pedro tem 6 anos, e já é considerado – por ele mesmo e por nós – integrante da Companhia. Recentemente ele nos despertou uma reflexão que não tínhamos nos dado conta. Com o pensamento e os olhos voltados para a pesquisa e a rotina de trabalho, não tínhamos percebido que aproximadamente a 3 anos e indiretamente, já começávamos a maior e melhor pesquisa sobre a oralidade.
Com 3 anos de idade Pedro – filho de André Garcia Alvez e Ludmilla Silva – já desenhava a sua vontade de experimentar a brincadeira dos pais. Um dia depois de uma apresentação, deixamos os figurinos em um canto secando. Ele foi bem devagar, sem que ninguém visse, vestiu a camisa, o chapéu de palhaço e pegou o pandeiro do pai e começou a repetir baixinho as frases, piadas e musicas do espetáculo que ele já tinha assistido uns 2 anos seguidos de seus 3 anos de vida.
A surpresa foi geral, pois nunca ninguém tinha pedido para ele fazer aquilo, falar aquelas frase ou até mesmo pedido para vestir as roupas. Todos ficaram surpresos. Assim que se deu conta que fora descoberto, não se intimidou. Viu que consegui formar uma platéia pequena de parentes e amigos e voltou a repetir alto para quem assistia o que antes falava baixo e sozinho. Esse momento foi realmente inesquecível para todos nós.
Alguns dias passaram e esse episódio foi comentado com o Pirajá, amigo e professor nosso, que é professor da Escola Nacional de Circo e é de família tradicional circense. O pai do Pirajá, o “Seu Agostinho”, também foi um grande amigo e professor da Companhia. Bom, o fato é que esses senhores já há alguns anos, estão sempre diretamente ligados a nossa pesquisa circense. Sempre que eles passam a sua técnica e sabedoria par algum dos integrantes da Companhia, a arte milenar do Circo se mantém viva. Quando Pirajá soube que o Pedro já estava se assanhando, ele nos passou algumas entradas e algumas reprises para ensinarmos a ele.
Logo na mesma semana, quando o Pedro recebeu a visita de um parente, ele quis fazer e mostrar a brincadeira nova. Mais uma platéia conquistada.
A Companhia, junto com outros amigos artistas, coordena o projeto Boa Praça Encontro. Esse projeto é um excelente espaço de experimentações e estréias para arte de rua. O Pedro, quase dois meses depois das primeiras brincadeiras e de alguns pedidos para se apresentar no Boa Praça, surgiu a oportunidade de atender o pedido. Ensaiamos, providenciamos o figurino e marcamos a data. Ele estava eufórico para participar, ao lado do seu pai de uma apresentação.
Pois é, essa apresentação aconteceu em Maio de 2009. De lá pra cá já foram algumas outras tantas que já nem sabemos quantas ele já fez ou qual teria sido a melhor apresentação.
Hoje em 2011, ele está iniciando a sua alfabetização. Só agora é que percebemos que ele decorou falas, sabe marcas e ainda improvisa com o tema e volta para o roteiro, sem nunca ter lido uma linha desse roteiro.
Viva o Teatro de Rua !!!!!!
Viva a Cultura Nacional !!!!!
Viva a Tradição da Cultura Oral !!!!!!!





